Tema da redação do ENEM 2025 Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

O tema da redação do ENEM 2025 foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Abaixo estão o enunciado oficial do Inep, um resumo da coletânea de textos motivadores escrito pelo Griô a partir do caderno de prova, e uma análise do recorte e dos eixos que o tema abria.

Enunciado oficial da proposta

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

O recorte do tema — análise do Griô

O tema pede que se discutam as "perspectivas" - os modos de ver e as condições de vida - associadas ao envelhecimento no Brasil, num país que envelhece rapidamente. O foco está em como a sociedade enxerga e trata a pessoa idosa (estereótipos, invisibilidade, desigualdade, papel econômico), não apenas no dado demográfico. Tangencia quem fala só da Previdência ou da saúde do idoso, ou quem descreve o aumento da população idosa sem discutir as visões e os desafios que ele impõe.

Eixos possíveis de argumentação

  • O envelhecimento acelerado da população exige que políticas públicas e serviços se adaptem a uma nova pirâmide etária.
  • Estereótipos, tanto o do idoso frágil e inútil quanto o do "velho ativo" idealizado, apagam a diversidade da velhice e geram exclusão.
  • A qualidade do envelhecimento é desigual: renda e racismo acumulados ao longo da vida determinam quem envelhece com dignidade.
  • O idoso tem papel social e econômico relevante, inclusive como mantenedor de lares, o que contraria a imagem de dependência.

Coletânea — resumo do Griô, não texto do Inep

  • Texto I (notícia - I. Gomes e V. Britto, Agência de Notícias IBGE, "Censo 2022"): as pessoas com 65 anos ou mais chegaram a 10,9% da população em 2022, ante 7,4% em 2010 (alta de 57,4%), enquanto a parcela de até 14 anos caiu de 24,1% para 19,8%, o que evidencia o franco envelhecimento do país; o IBGE explica que adotou o corte de 65 anos por comparabilidade internacional, embora o Estatuto do Idoso considere idosa a pessoa com 60 anos ou mais.
  • Texto II (notícia - Senado Federal): um movimento na internet contra o pictograma do idoso com bengala resultou na criação de um novo símbolo, mais altivo. [Imagem: lado a lado, o ícone antigo, de figura curvada apoiada em bengala, e o novo, de figura ereta ao lado da inscrição "60+".]
  • Texto III (artigo - jornal literário Rascunho): apresenta a velhice como tempo de acerto consigo mesma, de falar de doença, sexualidade, tédio e da liberdade de não atender às expectativas sociais; cita Rita Lee, para quem a velhice não é doença, é destino - destino entendido como campo de novas escolhas e de desafio aos estereótipos -, e Fernanda Montenegro, aos 95 anos, para quem a velhice permite olhar de frente a vida já vivida, sem o pânico do inédito.
  • Texto IV (reportagem - g1): aponta um novo estereótipo, o do "velho ativo", saudável e com recursos, que pressiona o "velho inativo", doente e pobre, já que nem todos os idosos têm meios de aderir a essa corrida. [Gráfico "Idosos são os principais mantenedores dos lares", faixa de 65 a 74 anos: 38% são a principal renda da casa, mas contam com outras rendas; 34% contribuem para os gastos sem serem os principais mantenedores; 28% sustentam a casa sozinhos.]
  • Texto V (conto - Clarice Lispector, "Onde estivestes de noite", 1974): a personagem, uma senhora de 77 anos, vive na casa da filha sem função reconhecida, num ócio que não escolheu; gostaria de voltar a ser útil, mas ninguém leva a sério sua disposição, e ela se sente descartada, como se envelhecer fosse tudo o que lhe restasse.
  • Texto VI (reportagem - g1, "Quem tem direito de viver mais?"): o documentário "Quantos dias. Quantas noites" investiga quem tem direito a uma vida longa no Brasil; o diretor fala em marcadores sociais que definem quem vive e quem sucumbe, e um médico gerontólogo afirma que chegar aos 75 anos com desigualdades acumuladas, sobretudo pelo racismo, torna muito difícil viver com qualidade.

Fonte

Tema e enunciado: Inep, documento público, reproduzidos sem alteração. Coletânea resumida a partir de Caderno de provas ENEM 2025, 1º dia, caderno 1 azul (Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação) (consultado em 08/10/2026). Para estudar a proposta na íntegra, leia o caderno oficial.

As redações nota 1000 deste ano estão na Cartilha do Participante, publicada pelo Inep. O Griô não reproduz esses textos: eles são dos participantes.

Escreva sobre este tema

O tema de 2025 não volta a cair, mas a estrutura se repete. Escreva sobre ele e o Griô devolve a correção competência por competência — o que sustentou o texto, o que faltou e o próximo passo em cada uma. São 2 redações corrigidas por mês na conta gratuita. É método, não promessa de resultado.

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