Questões do ENEM 2022 Linguagens
Questão 24 do ENEM 2022
O complexo de falar difícil
O que importa realmente é que o(a) detentor(a) do notável saber jurídico saiba quando e como deve fazer uso desse português versão 2.0, até porque não tem necessidade de alguém entrar numa padaria de manhã com aquela cara de sono falando o seguinte: “Por obséquio, Vossa Senhoria teria a hipotética possibilidade de estabelecer com minha pessoa uma relação de compra e venda, mediante as imposições dos códigos Civil e do Consumidor, para que seja possível a obtenção de 10 pãezinhos em temperatura estável para que a relação pecuniária no valor de R$ 5,00, seja plenamente legitima e capaz de saciar minha fome matinal?”
O problema é que temos uma cultura de valorizar quem demonstra ser inteligente ao invés de valorizar quem é. Pela nossa lógica, todo mundo que fala difícil tende a ser mais inteligente do que quem valoriza o simples, e 99,9% das pessoas que estivessem na padaria iriam ficar boquiabertas se alguém fizesse uso das palavras que eu disse acima em plenas 7 da manhã em vez de dizer: “Bom dia! O senhor poderia me vender cinco reais de pão francês?”.
Agora entramos na parte interessante: o que realmente é falar difícil? Simplesmente fazer uso de palavras que a maioria não faz ideia do que seja é um ato de falar difícil? Eu penso que não, mas é assim que muita gente age. Falar difícil é fazer uso do simples, mas com coerência e coesão, deixar tudo amarradinho gramaticamente falando. Falar difícil pode fazer alguém parecer inteligente, mas não por muito tempo. É claro que em alguns momentos na verdade vários não temos como fugir do português rebuscado, do juridiquês propriamente dito, como no caso de documentos jurídicos entre outros.
ARAÚJO, H. Disponível em: https://diariojurista.com.br. Acesso em: 20 nov. 2021 (adaptado).
Nesse artigo de opinião, ao fazer uso de uma fala rebuscada no exemplo da compra do pão, o autor evidencia a importância de(a)
Ver gabarito e resolução
O texto utiliza uma situação hipotética e cômica — a compra de pães em uma padaria utilizando uma linguagem jurídica rebuscada — para ilustrar o conceito de adequação linguística. O autor argumenta que, embora o 'juridiquês' tenha seu lugar em documentos formais, utilizá-lo em contextos cotidianos é desnecessário e artificial. A crítica central é que a inteligência não deve ser medida pela complexidade do vocabulário, mas pela capacidade do falante de adaptar seu registro linguístico à situação de comunicação. Analisando as alternativas: a alternativa A está incorreta, pois o texto não defende a necessidade de ter saber jurídico, mas sim o uso consciente da linguagem; a alternativa B está incorreta, pois o autor critica a valorização superficial da inteligência baseada apenas na fala; a alternativa C está incorreta, pois o autor questiona a eficácia de falar difícil como prova de inteligência; a alternativa D está incorreta, pois o foco do texto não é a coesão de documentos jurídicos, mas o uso inadequado desse estilo em situações informais. Portanto, a alternativa correta é a E.
Resolução escrita com IA a partir do gabarito oficial do Inep, a mesma que os alunos do Griô recebem ao responder esta questão.
O que esta questão cobra
LC H26 Variedades e Uso Social
Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
Antes desta, vale dominar: Marcas da Variação Linguística
LC H27 Norma Padrão da Língua
Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Antes desta, vale dominar: Variedades e Uso Social
Pratique as vizinhas
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